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Matéria - Monumento Natural Gruta do Maquiné

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Catedral subterrânea

Texto e fotos: Marcelo JB Resende. REPRODUÇÃO PROIBIDA.



Há um lugar, nas profundezas de Minas Gerais, onde os olhos de Medusa (personagem da mitologia grega cujo olhar transformava tudo em pedra) parecem ter tocado. Neste lugar especial, esculpido pelas águas ao longo de milhões de anos, a imaginação é testada a todo o momento. Em seu substrato calcário formas e cores se revelam, remetendo o visitante a um universo estranho e ao mesmo tempo fascinante. Por vários momentos há a impressão de não pertencermos mais a este mundo. Estar aqui não é bem uma visita, mas fundamentalmente uma viagem.




A Gruta do Maquiné é como uma imensa catedral debaixo da terra, com 650 metros de extensão e 18 de profundidade. Seus sete salões abertos à visitação são finamente "decorados" pelas mãos caprichosas da natureza, que se esmerou em criar espeleotemas magníficos, recobertos por cristais de calcita que cintilam à menor fonte de luz. A infiltração de diversos minerais (óxido de ferro, magnésio...) confere cores de diferentes matizes, aumentando a dramaticidade do ambiente.



Corredor que liga o segundo e o terceiro salões.

Localizada a apenas 120 quilômetros da capital, Belo Horizonte (e a seis de Cordisburgo), Maquiné é um dos destinos mais emblemáticos de Minas Gerais, justamente por mostrar uma outra faceta do turismo no estado. Na verdade está inserida e é a principal atração do Monumento Natural Peter Lund, uma homenagem ao cientista dinamarquês que a visitou em 1834. A unidade de conservação engloba mais de 30 grutas, ainda não abertas à visitação. Junto com as grutas da Lapinha (Lagoa Santa) e Rei do Mato (Sete Lagoas), Maquiné compõem a Rota Peter Lund. 

 

E imaginar que tudo começa por um simples "buraco na terra". Às portas do Maquiné, é difícil perceber a grandiosidade do que se encontra ali, "enterrado". Amplos salões, alguns com imensos vãos, se abrem diante de olhares estupefatos. A "catedral subterrânea", com sua abóbada de 600 milhões de anos, tem uma acústica perfeita, usada várias vezes como cenário de novelas e minisséries. Tem até a Pedra do Sino, que emite um som característico. Estalactites (tite = teto) escorrem como chuvas preguiçosas de cristais, enquanto estagmites (mite = chão), parecem brotar do chão. Por muitas vezes as irmãs "mite" e "tite" se unem, formando suntosas colunas coloridas por diversos minerais. Estas formações desenham figuras as mais variadas, como morcegos, elefantes, carneiro, arranha-céus, lustres, fêmur humano, santinhas, sorvete, urso polar, lhama... Basta uma mudança de ângulo e uma coruja se transforma em boi. A gruta ainda está em formação, mas parte dela já está morta. Isto porque o mundo já não é mais o mesmo. Desmatamentos interferem no regime de chuvas. Sem a chuva, todas as grutas perdem sua escultora silenciosa e paciente: a água. As partes ainda em formação crescem a uma média de um centímetro cúbico a cada 20 anos.


Se Maquiné impressiona hoje, o que dizer de quando foi descoberta, no século XIX? Até ser protegida, muito foi destruído pela falta de consciência e pelo vandalismo. Os antepassados tiveram mais esplendor, com certeza, mas não dispunham da tecnologia de hoje. A moderna iluminação em led permite ao explorador contemporâneo vislumbrar detalhes que Lund, o fazendeiro Maquiné e tantos outros desbravadores não podiam nem sonhar, com seus lampiões rústicos.

 

Além da iluminação, passarelas permitem ao turista viajar pelos pontos que se alagam no período de chuvas, que vai de dezembro a março. Nesta época, pequenos lagos de águas azuladas e cristalinas espelham e multiplicam assim a beleza cênica. Com perdão pelo clichê, mas estar em Maquiné é "sonhar acordado".



Salão 'do Altar' ou 'do Trono'.


Salão das Piscinas.


Salão 'do Altar' ou 'do Trono'.


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