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Matéria - Monumento Natural Gruta Rei do Mato

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Palácio de reis anônimos

Texto e fotos: Marcelo JB Resende. REPRODUÇÃO PROIBIDA.



Pouco se sabe sobre a presença humana em tempos remotos na gruta Rei do Mato. Ainda não foram encontrados fósseis no interior da gruta, indício de que nenhum ou muito poucos - homens ou animais - se aventuraram em suas profundezas. Algumas pinturas rupestres - datadas de 6.000 anos - são encontradas na grutinha, anexa à entrada principal, mas estão bastante apagadas pela ação do tempo e pelo vandalismo.  Ao que tudo indica, este paraíso de formas permaneceu oculto por milhares de anos. 




Nem mesmo Peter Wilhelm Lund, o famoso naturalista dinamarquês, considerado o "pai da Paleontologia brasileira",  esteve por lá. Lund percorreu os sertões e explorou várias grutas da região central de Minas Gerais, na primeira metade dos anos 1800. Fez importantes descobertas em Maquiné e na Lapinha, desbravou dezenas de grutas, mas não há documentos ou relatos que atestem sua passagem pela Rei do Mato. Uma descoberta desta não passaria despercebida por tão astuto explorador, sendo assim é de se imaginar que a existência da Rei do Mato era totalmente desconhecida até então.



Entrada principal da gruta.

Os primeiros registros de visitação à gruta datam do início do século XX, mas não se sabe ao certo quem foi seu "descobridor", muito menos o ano exato da descoberta. Naqueles idos o local era fazenda, cujo proprietário já permitia a entrada e exploração da Rei do Mato por curiosos.  Inscrições mais antigas de vândalos são de 1910, configurando assim um triste testemunho da falta de consciência dos primeiros visitantes, que insistiam em levar "lembracinhas" e deixar marcas de suas incursões. A atual galeria das Estalactites de Pontas Quebradas retrata bem esta fase de depredação.

 

Esta situação de total abandono perdurou até 1950, quando José Eloi de Deus, morador de Sete Lagoas, explorou oficialmente a gruta com um grupo de pessoas. Ao visitar os salões, ele relatou o que havia visto à algumas autoridades. A partir desta época a gruta passou a ser conhecida como Rei do Mato, nome que até hoje gera muitas controvérsias quanto a sua origem. A história mais contada diz que seria uma menção a um mendigo eremita conhecido na região por trocar ervas por alimentos e se abrigar na gruta. Como toda boa lenda, seria um homem enigmático, loiro, alto e forte. Outra lenda relata que o morador misterioso seria um fugitivo do Revolução (golpe) de 1930, que ali encontrou abrigo e um bom esconderijo para armamentos. No seu refúgio particular, cercado por "suas" onças, dizia ele ser o Rei do Mato. É interessante o surgimento de lendas assim num passado tão recente. O fato é que não há uma explicação razoável e a história da gruta é muito pouco documentada.

 

Somente em 1988 a Rei do Mato foi aberta oficialmente para a visitação pública, mesmo sendo Área de Proteção Ambiental desde 1977. Foi necessário quase um século para que a gruta tivesse um plano de manejo, o que ocorreu em 2009, quando foi transformada em Unidade de Conservação, sob a responsabilidade do Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG). O local ganhou passarelas, iluminação em LED (luz fria), sistema de alarme e ampla infraestrutura. Mesmo com tantos anos de completo abandono, e ação inconsequente e ignorante de vândalos, a Rei do Mato não perdeu sua capacidade de encantar. Muito pelo contrário.


Formação geológica:

 

A gruta Rei do Mato é formada por rochas calcárias sedimentares, remanescentes do mar de Bambuí. Estimado em 600 milhões de anos, era um mar raso, de águas quentes e que ocupava uma área que hoje envolve os estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Uma vez extinto este mar, as rochas começaram a ser erodidas pela ação da água da chuva, levemente ácida, que se infiltra e dissolve o calcário, formando o carbonato de cálcio (ou calcita). Juntamente com outros depósitos minerais, a calcita é a responsável pela origem dos espeleotemas (estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, helictites, heligmites, escorrimentos etc), num trabalho que pode levar milhares ou até mesmo milhões de anos.




A imponência do Salão Principal.


Salão da Couve-flor.


A imaginação flui. Aqui a Cabeça do Leão.


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