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Matéria - Sabará

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O bandeirante

Texto e fotografia (exceto as creditadas): Marcelo JB de Resende. REPRODUÇÃO PROIBIDA.



A história de Sabará se confunde com a história de um homem: Manoel de Borba Gato, genro de Fernão Dias, o mais importante bandeirante paulista. Após a morte do sogro, em 1681, Borba Gato continuaria seu trabalho. Foi o primeiro a encontrar ouro nas margens do rio das Velhas. Concluía com este feito a missão de encontrar Sabarabuçu, a lendária serra repleta de ouro e pedras preciosas.




Tão logo se deu o achamento das minas, levas e levas de aventureiros se dirigiram ao eldorado. Borba Gato manteve uma lavra no arraial de Sant'Ana (Arraial Velho), fundado por bandeirantes nos idos de 1700. A Capela de Santo Antônio de Mouraria, demolida em 1920, talvez tenha sido construída a mando do bandeirante. Alguns historiadores defendem que ele foi enterrado lá em 1717. Esta capela serviu como Matriz no início do século XVIII. Através do Arraial Velho de Sant'Ana passava a antiga estrada que ligava a fervilhante Villa Real de Sabará ao arraial de Raposos e às Minas Gerais do Ouro Preto e Ribeirão do Carmo. Por esta e outras características o bucólico Arraial Velho, hoje pertencente a Sabará, tem um alto valor histórico. Foi um dos palcos da febre áurea que tomou a região.



Casa de Borba Gato - apesar do nome, é quase certo que não foi residência do famoso bandeirante.

Ânimos exaltados e uma terra sem muitas leis. Este era o cenário da incipiente sociedade mineira do início do século XVIII. Muitos conflitos surgiram envolvendo a posse do ouro. Borba Gato seria protagonista de um deles, já no ano de 1681. O rígido controle das lavras pela Coroa Portuguesa culminou no assassinato do fidalgo espanhol Dom Rodrigo de Castel Blanco. Acusado do crime, Borba Gato ficou foragido 18 anos, vivendo com os índios no vale do rio Sabará e cercanias, onde veio a encontrar mais ouro.

 

O mal-estar com a Corte durou até 1698, ano que, segundo historiadores, se deu o primeiro encontro do bandeirante com o então governador Arthur de Sá e Menezes. Na ocasião Borba Gato recebeu o título de Tenente-General do Mato. Sua influência e importância em toda a região foi aumentando. Em 1702, no segundo encontro com o governador, foi investido no cargo de Superintendente das Minas do Rio das Velhas. O fato aconteceu no arraial Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande e selava o perdão definitivo em troca de um "Manifesto do Ouro". Nessa época o vizinho Arraial da Barra do Sabará era o mais populoso de Minas.


No atributo de suas novas funções, Borba Gato repartia as lavras de ouro e veios d'água como regulamentava o Regimento. Fiscalizava ostensivamente o trânsito das tropas que vinham do sertão, confiscando cavalos, bois, negros e mercadorias. Falecendo em 1717, deixou o antigo Arraial da Barra do Sabará elevado à condição de Villa Real, próspero e com grande movimento.

 

Também no começo do século XVIII aconteceu o primeiro grande conflito pela posse do metal amarelo. Mesmo sendo descobridores do ouro, os paulistas perderam para os cariocas a jurisdição sobre as minas, causando enorme desconforto. Os paulistas chamavam os cariocas, portugueses e demais imigrantes de Emboabas, nome pelo qual ficou conhecido o conflito. A Guerra dos Emboabas se estendeu pelo vale do rio das Velhas, rio das Mortes e teve Sabará como um de seus palcos. A derrota dos paulistas fez com que sua influência diminuísse. Tanto é assim que não se vê o nome de Borba Gato, um paulista, na lista dos presentes ao Ato de Criação da Villa Real de N. Sra. da Conceição do Sabará, em 1711.



Igreja Santana - distrito de Arraial Velho (meados do séc. XVIII).


Solar Padre Corrêa, atual prefeitura.


Museu do Ouro.


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