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Matéria - Parque Estadual do Rio Preto

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Desde os tempos remotos: mistura de águas, rochas e belezas sem fim

Texto e fotos: Marcelo JB Resende. REPRODUÇÃO PROIBIDA.



Visando proteger importantes nascentes, o Parque Estadual do Rio Preto foi criado em 1994. A principal é a do rio Preto, afluente do Araçuaí, que por sua vez desagua no imponente Jequitinhonha. Para além da  preservação hídrica, a unidade também protege um acervo natural de grande beleza cênica, caraterística do Cerrado brasileiro, e alta relevância biológica.




A história recente de toda a região está intimamente ligada às fabulosas jazidas de diamantes, descobertas no antigo arraial do Tejuco (hoje Diamantina). Os primeiros desbravadores chegaram em meados do século XVIII e não demorou muito para que uma verdadeira febre tomasse conta daquelas paragens. Tudo adquiriu uma dimensão tão grande que foi criado o Distrito Diamantino, que respondia diretamente à Coroa Portuguesa, sem ingerência do governo da capitania de Minas Gerais ou do Brasil. A entrada e a saída do distrito era rigidamente regulada por caminhos oficiais, no que hoje conhecemos como Estrada Real. No PERP está o marco final da Rota dos Diamantes (Diamantina a Ouro Preto), última seção da Estrada Real. As outras seções são o Caminho Velho, que ligava Ouro Preto (antiga Vila Rica) a Parati, e o Caminho Novo, entre Ouro Preto e o Rio de Janeiro. Termina então no Parque Estadual do Rio Preto o lengedário caminho (ponto mais setentrional), ingrediente a mais para quem deseja conhecê-lo. 



O parque possui vários sítios arqueológicos, com pinturas rupestres.

Antes de ter seu acervo natural protegido, a área onde hoje está o parque sofreu com o garimpo e a extração de madeira. Lá surgiram as antigas fazendas Boleiras, Alecrim e Curral, onde se explorava a pecuária de corte, extração de Sempre-vivas, coleta de frutos e pequenos garimpos. Lendas dizem ainda que o paradisíaco vale do rio Preto também serviu como esconderijo de escravos fugidos, que conheciam como ninguém as matas e as serras da região. De lá partiam em jornadas epopeicas, com destino a quilombos e focos de resistência na Bahia, bem mais ao norte.

 

Mas não foram somente os escravos a escolherem o vale do rio Preto como refúgio. Pinturas rupestres, espalhadas em vários sítios arqueológicos pelo PERP, atestam presença humana bem mais remota, estimada em milhares de anos atrás, embora não existam estudos conclusivos. Além disso, botânicos, zoólogos e viajantes famosos também se encantaram. Saint Hilaire, Batist von Spix, Philipp von Martius e Richard Burton, já no século XIX, relataram seu fascínio pelas paisagens, fauna e flora do Espinhaço.


Muito da exuberância biológica daqueles tempos já não existe mais, mas pode ser reconquistada. O contato com animais de maior porte, como o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o veado-campeiro, a onça-pintada, a paca, o macaco guigó e o lobo-guará é mais difícil, entretanto a esperança é que aos poucos eles voltem a repovoar a unidade. Um levantamento detectou mais de 40 espécies de mamíferos no parque e seu entorno, onde se destacam, além das espécies acima, outras também consideradas "vulneráveis" ou "em perigo", como o muriqui, o gato-do-mato, o caititu, a jaguatirica, a suçuarana, a anta, o bugio, o tatu-de-rabo-mole, a lontra... Nas espécies de vertebrados foram catalogadas também 194 de aves e 33 de répteis, sendo várias delas endêmicas da Serra do Espinhaço. Entre as aves é possível admirar o beija-flor-de-gravata-verde, a coruja-buraqueira, a jandaia-de-testa-vermelha, o capacetinho-do-oco-do-pau, a araponga, o lenheiro-da-serra-do-cipó, o tico-tico-do-campo...  


Como já dito, o Parque Estadual do Rio Preto está no bioma Cerrado, caracterizado por paisagens diferenciadas, que vão desde os campos limpos (sem vegetação lenhosa) e campos rupestres até florestas estacionais semideciduais (vertentes de rios), com mata mais densa, de árvores mais altas. Na porção sul do parque existem pequenas florestas, combinadas com vegetação campestre, chamadas de "capões de mata". Destacam-se o cedro, os ipês (amarelos, brancos, roxos, rosas e liláses, que florescem entre agosto e setembro), as candeias, paus-pereira, cagaitas e umbuzeiros (com frutos saborosos), pequizeiros, gabirobas, mandapussá  e os jatobás. 

 

Na área do parque há a predominância de vegetação campestre (ou savânica). As árvores são geralmente inclinadas, com galhos retorcidos e irregulares, medindo de dois a seis metros em média. As formas tortuosas dos galhos conferem uma dramaticidade peculiar à beleza da paisagem. 



Capela Bom Jesus, em São Gonçalo do Rio Preto, cidade onde está o parque.


As Sempre-vivas são um espetáculo à parte.


Curiosas espécies da flora local.


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