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Matéria - Diamantina

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Singular

Texto e Fotos (exceto as creditadas): Marcelo JB Resende. Reprodução proibida.



Enquanto as vilas e arraiais auríferos eram relativamente próximos uns dos outros - Ouro Preto, Sabará e Mariana, por exemplo -, Diamantina reinava ofuscante mais ao norte. Este isolamento fez da cidade um lugar de expressões originais, mais abrangentes. Em suas casas, ruas e igrejas pode-se ler sobre uma sociedade diferente, diversificada, festiva e opulenta.




A arquitetura colonial diamantinense é o resultado de uma mistura entre portugueses, escravos e dos muitos aventureiros. Num passeio a pé pelo centro histórico é fácil perceber isso. Histórias fascinantes, de uma sociedade moralista, podem ser esconder por detrás dos muxarabiês. São treliças de madeira de influência árabe. Digamos que era o vidro-fumê da época. Quem estava dentro via o que se desenrolava lá fora, sem que o contrário acontecesse. Passando em frente à mansão setecentista de Chica de Silva imaginamos que ela pode estar ali, nos observando através do seu muxarabiê.


O muxarabiês escondiam segredos, mentiras e um quê de falsa moralidade. Mas há na cidade inequívocos sinais de demonstração de poder. O maior deles é a Igreja N. Sra. do Carmo. Erguida entre 1760 e 1765, é ícone da ostentação. A pintura é de autoria de José Soares de Araújo, comparado a Mestre Ataíde por sua genialidade. A capela-mor tem cenas em perspectiva, as primeiras do Brasil. O órgão, confeccionado no próprio arraial (uma proeza) tem detalhes em ouro.

 

Somente um homem tinha poder e dinheiro em Diamantina, naqueles idos de 1760: o contratador João Fernandes de Oliveira. Chica da Silva, a escrava negra que virou rainha, fez história. Amante do contratador, alterou os padrões da arquitetura religiosa, ao exigir que a torre fosse construída nos fundos, e não na frente da igreja. O repique dos sinos a "incomodava", assim como ela (Chica da Silva) "incomodava" a alta sociedade local. Pelo menos é o que diz a lenda.



Casa do Muxarabiê.

Continuando pelo centro histórico há a rua da Quitanda, antigo ponto de venda de quitudes. Junto com o Beco do Mota é o ponto mais fervilhante da cidade, palco da cultura e da musicalidade diamantinenses. Compõem um cenário alegremente colonial. O entorno da catedral de Santo Antônio tem preciosidades arquitetônicas. O Museu do Diamante, a Casa do Intendente Câmara e a Casa da Intendência (1733) chamam a atenção. Descendo o largo está a praça JK. Merecem destaque o Casarão do Fórum e a igreja São Francisco de Assis. Subindo a rua São Francisco, está a casa onde nasceu o ex-presidente Juscelino Kubitschek, filho mais ilustre da cidade. A arquitetura da casa é singela, do século XIX.


Um pouco mais afastados estão o largo do Rosário e a rua da Glória. A igreja N.Sra. do Rosário pertencia a uma ordem de negros, assim como em outras cidades mineiras. É de 1731; mais antigo templo de Diamantina. Na rua da Glória está o cartão-postal da cidade: a Casa da Glória. São duas contruções, erguidas em épocas diferentes, ligadas por um passadiço coberto, inspirado na Ponte dos Suspiros, de Veneza (Itália). A passagem foi contruída na época em que os dois prédios pertenciam às irmãs vicentinas (1887), permitindo a travessia da rua com discrição. Bem antes disso uma das casas foi propriedade da Coroa e depois de Josefina Maria da Glória (razão do nome).

 

É enorme o acervo de Diamantina, servindo de inspiração para arquitetos modernos, como Niemeyer. O Mercado Municipal, antigo pouso de tropeiros, teria inspirado o desenho do pilotis do Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente da República, em Brasília. Por estas e muitas outras características, Diamantina é uma cidade para ser visitada a pé, sem pressa e com a sutileza de um muxarabiê.



Mercado Municipal, antiga parada de tropeiros (séc. XIX).


Casa da Glória.


Igreja N.Sra. do Rosário.


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